No período compreendido entre as Copas Mundo de 1974 e 1986, o futebol sofreu uma variação tática muito interessante, evoluindo do chamado Clássico quatro-três-três (dois zagueiros, dois laterais, um volante, dois meias, dois pontas e um centroavante) para o aclamado Tradicional quatro-quatro-dois (dois zagueiros, dois laterais, dois volantes, dois meias e dois atacantes). Certamente o novo condicionamento físico dos jogadores, agora atletas de alto rendimento, influenciou nesta mudança - lembrando que a Laranja Mecânica Holandesa de Rinus Michels, com o seu futebol total, foi o grande marco da História.
Já da Copa do México de 86 para cá outras tantas variações ocorreram, mas quero considerar um elemento fundamental que é a base de consagração de um bom time de futebol. Em qualquer dos esquemas acima citados a frase "um bom time começa por um bom goleiro" é verdade, sendo que há um complemento a que chamamos de esqueleto de time, sendo assim formado: a. um goleiro seguro; b. um centroavante matador; e c. um armador, cérebro do time.
Até aí tudo bem, certo?
Certo. Só que o futebol europeu, com seus teóricos, managers, coachs e tals, inventaram um novo personagem que deu muito certo por lá, levando seus clubes a grandes conquistas internacionais, principalmente sobre os sudamericanos, seus maiores rivais. Este personagem é o Líbero, que funciona no esquema chamado Retranqueiro três-cinco-dois (três zagueiros, dois alas, dois volantes, um meia e dois atacantes). Taticamente o líbero é o jogador que dá cobertura aos dois zagueiros e libera os alas para o avanço, mas que dependendo da situação de jogo adianta-se para compor o meio de campo, liberando um meia para o ataque. Esta evolução tática criou um novo bicho; agora o esqueleto de um bom time deve ter, por ordem de importância: 1. um goleiro seguro; 2. um líbero que saiba jogar; 3. um centroavante matador; e 4. um meia de ligação.
E como joga o seu time?
O meu time joga no esquema de três zagueiros. Só que tem a coluna completamente torta, pois falta uma vértebra fundamental para que haja flexibilidade. Tem um goleiro seguro, o veterano argentino Abbondanzieri; um centroavante matador, o contestado goleador Alecsandro; e um meia de ligação, o D'Alessandro - apesar de ser o Andrezinho o meu bruxo para esta função. Mas cadê o líbero? Não tem, porque o técnico não é um profundo estudioso de futebol, não considera que de três zagueiros, um deve saber jogar como líbero, e não considera nenhum tipo de variação tática. O plantel do Inter é bom, tem opções para cada setor, e nele está o homem a quem eu daria a camisa 5 do Falcão e o faria líbero, porque sabe jogar: Sandro.
Como torcedor que joga junto gostaria de ver meu time jogando bonito e ganhando, e isto é possível mesmo com um líbero, mas o uruguaio Jorge Fossati deveria estudar a recente história do futebol mundial para ao menos inspirar-se na Holanda de Michels. E evoluir.
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